Arrastão do Pavulagem se prepara para o 1º Arrastão
Jornalista Amanda Martins redação de O LIBERAL
Por jimmynight
Publicado em 09/06/2026 12:05
Geral

A manhã de ontem (7) foi marcada por expectativa, música e dança durante o último ensaio dominical do Batalhão da Estrela antes do primeiro Arrastão do Pavulagem 2026, marcado para o próximo dia 14. Com cerca de 1.100 brincantes inscritos neste ano, a preparação precisou ser realizada em um percurso ampliado. Tradicionalmente concentrados no Boulevard da Gastronomia, os participantes se reuniram desta vez na Escadinha do Cais do Porto, com concentração iniciada por volta das 9h. De lá, o ensaio seguiu em cortejo pela orla do Complexo Porto Futuro II. O mestre, músico e co- -fundador do Arraial do Pavulagem, Ronaldo Silva, explicou que essa atividade na rua funciona como um ajuste fino e um exercício prático indispensável para o Batalhão, envolvendo os instrumentos e os estandartes. “É um exercício que precisa ser feito para que a gente possa chegar no tempo que está previsto”. O Batalhão é formado por brincantes que atuam em diversas expressões da cultura popular amazônica, como pernas de pau, dança, percussão, banjo e outras manifestações que compõem os Arrastões. Esses ensaios são voltados ao alinhamento U ma mobilização em apoio ao Museu de Arte de Belém (Mabe) reuniu artistas, professores, servidores públicos, trabalhadores da cultura e integrantes da sociedade civil na manhã de ontem (7), em frente ao Palácio Antônio Lemos, onde fica a sede do museu, na Cidade Velha. O ato, denominado “O Mabe pede socorro”, ocorreu de forma pacífica durante a programação da 61ª edição do Circular Campina Cidade Velha. A iniciativa teve como objetivo chamar a atenção para a importância da preservação do museu, da manutenção de seu funcionamento e da conservação do acervo, considerado um dos mais importantes da região. O Mabe abriga mais de 2 mil obras, incluindo pinturas, esculturas, porcelanas, mobiliário e outras peças ligadas à história e à produção artística do Pará, da Amazônia e da própria formação do Brasil. Durante a mobilização, também foi lançado um abaixo-assinado que busca alcançar a marca de 10 mil assinaturas. Segundo os organizadores, o documento será encaminhado a órgãos de proteção do patrimônio e instituições competentes. de comprometimento do acervo museológico. O O Liberal solicitou nota à prefeitura de Belém e aguarda um retorno. Nina Matos, que participou do ato e já exerceu funções de chefia e direção no museu, relatou que a situação atual da instituição está relacionada às mudanças administrativas ocorridas nos últimos anos. Ela explicou que, em fevereiro de 2025, a reforma administrativa da prefeitura de Belém extinguiu a Fundação Cultural do Município de Belém (Fumbel), da qual o Mabe era um departamento. Segundo Nina, a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Semcult), criada posteriormente, não absorveu o museu, o que resultou na extinção de cargos de direção e das divisões técnicas voltadas à conservação, restauração, documentação museológica, curadoria, pesquisa e ações educativas. Ainda de acordo com a servidora, a Semcult foi posteriormente desmembrada, dando origem à Secretaria Municipal de Turismo (Setur) e à Secretaria Municipal de Cultura (Secult), sem que o Mabe passasse a integrar formalmente o organograma da pasta. “Hoje, o museu está sem a estrutura funcional necessária para desenvolver plenamente suas atividades de preservação, pesquisa, difusão e educação”, afirmou. PATRIMÔNIO O professor, historiador e doutorando Michel Pinho também participou da mobilização. Ele destacou a importância histórica e patrimonial das coleções mantidas pelo museu e chamou atenção para os riscos que eventuais danos ao acervo podem representar. “Estamos falando de um acervo de valor inestimável para a cidade e para o país”, afirmou. O historiador ressaltou ainda que fatores ambientais, aliados à ausência de equipamentos adequados de conservação, podem comprometer a preservação das obras ao longo do tempo. “É impensável perder obras que ajudam a contar a história de Belém, como trabalhos de Theodoro Braga e outros registros fundamentais para a memória da cidade”, declarou. Ato denuncia precarização do Museu de Arte de Belém PEDIDO DE SOCORRO INSATISFAÇÃO - A iniciativa teve como objetivo chamar a atenção para a importância da preservação do espaço, da manutenção de seu funcionamento e da conservação do acervo O ato reuniu artistas, professores, servidores públicos, trabalhadores da cultura e outros ativistas Brincantes ocuparam a Escadinha do Cais do Porto durante o último ensaio dominical da temporada THIAGO GOMES / O LIBERAL THIAGO GOMES / O LIBERAL Durante a mobilização, um abaixo-assinado foi lançado para fortalecer o movimento DEMANDAS Entre as preocupações apresentadas pelos participantes estão a fragilização administrativa da instituição, a redução de equipes técnicas, a ausência de profissionais especializados, a insuficiência de recursos materiais e financeiros, a descontinuidade de serviços de conservação e restauração, o fechamento de setores considerados estratégicos e o risco AMANDA MARTINS Da Redação AMANDA MARTINS Da Redação Batalhão se prepara para o 1º Arrastão PAVULAGEM das apresentações que estarão presentes nos cortejos pelas ruas de Belém. TRADIÇÃO Entre os brincantes, as histórias de vida se entrelaçam com a cronologia do próprio Arraial. É o caso do casal Ana Paula Bona e Antônio Sampaio, que participam do cortejo há 18 anos. Nesta edição, eles acompanham o filho mais velho, Tom Sampaio Bona, de 6 anos. O menino, que frequenta o ambiente do Pavulagem desde os 2 anos e antes ficava na ala da Campina, fará sua estreia este ano como “pernaltinha”. Para Ana Paula, vivenciar a festividade sob uma nova perspectiva familiar traz um sentimento único. “É muito emocionante para mim. Cada ano é uma experiência nova. Eu digo que o Arraial foi a minha primeira vista e a primeira escuta. E hoje poder compartilhar isso com os meus filhos é algo, assim, realmente inexplicável”, afirmou. O esposo, Antônio, que tem deficiência visual e atua na ala da percussão, acompanha o Arraial desde 1996. Prestes a completar três décadas de ligação com a festividade, ele destaca a profundidade da conexão que o evento proporciona. “É um momento que se aproxima do sublime, que me aproxima de algo meio que sagrado. É onde a gente se conecta com a gente mesmo, com a nossa ancestralidade e com o mundo. E a gente tem transmitido isso para o Tom”, disse.

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