Os candidatos à presidência visitaram 18 das 27 unidades da federação do Brasil nos primeiros 30 dias de campanha eleitoral, entre 16 de agosto e 15 de setembro, mostram dados analisados por O Globo. Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro (PL), Lula (PT), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) realizaram juntos mais de 300 compromissos no período, entre comícios, entrevistas, motociatas, visitas a entidades religiosas e a equipamentos públicos. As informações foram coletadas e tabeladas pela reportagem por meio dos comunicados enviados pelas assessorias de imprensa de cada candidato pelo WhatsApp. Os dados mostram que os candidatos focaram, sobretudo, na região Sudeste do país, que concentra 70% dos compromissos durante o período analisado. A região Norte, até o dia 15 de setembro, foi visitada apenas por Flávio, que esteve no Amazonas e no Pará. Lula visitou o estado do Amapá no dia 17 de agosto, mas o compromisso foi parte da agenda presidencial. Para o levantamento, foram considerados apenas os eventos públicos de campanha dos candidatos
Flávio, Lula e Renan foram os que visitaram o maior número de estados até o momento, tendo ido a dez unidades da federação cada. No período, Augusto Cury foi o que esteve no maior número de compromissos religiosos, como igrejas evangélicas e eventos desse segmento. Caiado, por sua vez, esteve com mais foco em visitas a entidades privadas como associações de montadoras de veículos e eventos de bancos e instituições financeiras enquanto Renan Santos concedeu mais coletivas de imprensa, participou de entrevistas e sabatinas e foi o segundo candidato que mais esteve no Nordeste, depois de Lula. O petista teve o menor número de compromissos e focou em especial em comícios. Em um cálculo ilustrativo feito por O Globo para entender o quanto cada candidato percorreu pelo país até o momento, Flávio acumula mais de 20 mil quilômetros, considerando as distâncias em linha reta entre os compromissos divulgado pela assessoria do candidato. Na sequência aparece Lula, com 17 mil quilômetros.
Lula teve 14 compromissos de campanha, o menor número entre todos os candidatos à presidência considerados no levantamento. Ele apostou principalmente em comícios, que representaram mais da metade dos compromissos e foram realizados em estados do Sul, Nordeste e Sudeste.
O petista tem dividido seu tempo entre compromissos de governo e de campanha. A busca pela reeleição acaba se concentrando sobretudo às sextas-feiras e finais de semana. A equipe tem dado preferência aos locais em que o presidente encontra um palanque local robusto, seja de candidatos do próprio partido ou de legendas aliadas. Lula foi o que mais esteve no Nordeste. Por lá ele encontra situação mais confortável, dado o histórico de preferência nos estados da região em candidatos do PT. No Sul, os atos de campanha foram ao lado de candidatos do PDT aos governos do Rio Grande do Sul e do Paraná, fruto de alianças pensadas para unir a esquerda em prol de um palanque mais forte para Lula. Flávio Bolsonaro foi o único que foi como candidato para a região Norte do país nos primeiros 30 dias de campanha. Ele visitou os estados do Amazonas e do Pará, em 11 e 14 de setembro, onde realizou comícios, visitou a fábrica da Honda e também fez motociata.
No Pará, a eleição ao governo está acirrada e a disputa presidencial tem ficado em segundo plano. O PL de Flávio indicou a vice Ellayne D'Almeida (PL) na chapa de Dr. Daniel (Podemos), que enfrenta Hana Ghassan (MDB), que por sua vez tem um vice do PT, Dirceu Ten Caten, na chapa. Tanto Lula quanto Flávio pouco têm aparecido nos materiais de campanha dos candidatos, em um pleito mais focado em temas locais. Na visita ao estado, Flávio acenou sobretudo à pauta do desenvolvimento econômico - com exploração de minérios e madeira - e turístico do Pará, mencionando as "riquezas ao povo paraense" e a "regularização da terra", mas também prometeu combater a "exploração ilegal de madeira, ouro e minérios". Em 2022, Lula foi mais votado que Bolsonaro nos dois turnos no estado