trabalhadores da empresa Auto Viação Monte Cristo retomaram as atividades, após 10 dias de paralisação motivada por atrasos salariais e outras pendências trabalhistas. O retorno ocorreu sábado (30), após a aprovação, em assembleia realizada na sexta-feira (29), de uma proposta apresentada pela empresa e mediada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (TRT-8). Durante o movimento grevista, a categoria reivindicou o pagamento de dois meses de salários atrasados, dois tickets alimentação em aberto, férias não quitadas para parte dos funcionários e outros direitos trabalhistas. A proposta foi debatida e aprovada pela maioria dos trabalhadores durante assembleia conduzida pelo Sindicato dos Rodoviários de Belém. Segundo o sindicato, apesar do encerramento da greve, a categoria continuará acompanhando o cumprimento dos compromissos assumidos pela empresa. Os trabalhadores também deliberaram que uma nova paralisação poderá ser deflagrada caso o acordo não seja cumprido ou surjam novos prejuízos aos seus direitos. ACORDO Em nota divulgada na sexta-feira (29), a Auto Viação Monte Cristo informou que permanece em pleno funcionamento e reafirmou o compromisso de cumprir o acordo firmado com os trabalhadores. A empresa destacou que o entendimento foi homologado judicialmente após mediação do TRT8 e prevê a regularização dos salários e do ticket alimentação em atraso. A empresa afirmou ainda que a quitação dos débitos trabalhistas é sua prioridade no momento e que todos os recursos captados estão sendo direcionados para esse fim. A Monte Cristo também ressaltou que enfrenta dificuldades financeiras decorrentes de uma recuperação judicial iniciada em 2023. CRISE A paralisação teve início em meio a um cenário de dificuldades financeiras enfrentadas pela operadora. Em nota divulgada na semana passada, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém (Setransbel) atribuiu a crise ao desequilíbrio econômico do sistema de transporte coletivo, citando fatores como a defasagem tarifária, o aumento dos custos operacionais e a redução do número de passageiros pagantes. A entidade também havia informado que a insuficiência da tarifa pública em relação à chamada tarifa técnica necessária para a manutenção do serviço tem provocado prejuízos acumulados às empresas do setor. Segundo o Setransbel, esses fatores comprometem a sustentabilidade financeira das operadoras e dificultam a regularização de obrigações trabalhistas e operacionais.