O projeto “Belém Cheirosa” realizou uma ação piloto de limpeza urbana e intervenção artística ontem (24), no bairro do Reduto, em Belém. A iniciativa da Associação Amigos de Belém reuniu moradores, comerciantes e voluntários para varrer e lavar calçadas, partindo da avenida Presidente Vargas até a rua 28 de Setembro. O mutirão comunitário buscou combater a degradação do espaço público e resgatar a memória olfativa da capital paraense por meio do saneamento básico e da conscientização dos cidadãos. A mobilização seguiu até o edifício Fátima, local onde foi confeccionado um mural urbano, assinado pela artista Michele Cunha. De acordo com o planejamento coletivo da organização, o trajeto planejado se estenderá até o final da avenida Assis Vasconcelos em etapas futuras. ABANDONO O presidente da Associação Amigos de Belém e doutor em Ciências Ambientais, Paulo Pinho, explicou que o projeto nasceu como uma resposta direta à degradação de um trecho da cidade que vinha sendo utilizado incorretamente como banheiro por transeuntes. Pinho destacou que a intenção é aliar a rotina de limpeza urbana à preservação da identidade cultural. “A intenção é resgatar o cheiro do Pará e da Amazônia. Queremos isso a partir de infraestrutura de saneamento, rotina de limpeza urbana e equipamentos especiais para que as pessoas saiam com essa memória de Belém”, complementou o presidente. DESCARTE A engenheira agrônoma Ieda Rivera, de 61 anos, é moradora da rua 28 de Setembro e ressaltou as dificuldades enfrentadas na região com a destinação dos resíduos descartados. “O que incomoda é realmente a falta de saneamento básico quanto à sarjeta e à coleta de lixo. Nós temos o serviço por parte da prefeitura, mas a própria comunidade não obedece ao horário e nem aos locais de coleta”, apontou. “Unir forças significa mostrar que nós podemos, porque queremos um ambiente limpo para viver melhor, preservando o meio ambiente e cuidando do nosso clima”, declarou Rivera. PARCERIA A ação também contou com o apoio da perfumaria Chamma da Amazônia, empresa com mais de 80 anos de história que retornou ao centro da capital, fixando- -se na antiga residência dos avós da família, situada na rua 28 de Setembro. A arquiteta e servidora pública Dani Chamma destaca: “Conversamos sobre esse amor por Belém e surgiu a ideia de dar início a um projeto que envolvesse a sociedade. Como somos do ramo de perfumaria e a associação já tinha um plano antigo de perfumar as vias, tudo casou. Essa foi a origem do nome do projeto ‘Belém Cheirosa’”, detalhou a arquiteta. Após a lavagem da calçada, os voluntários aplicaram uma essência de patchouli com raízes no trecho atendido.