O Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa) divulgou uma nota pública ontem (28) denunciando o atraso salarial dos médicos pediatras que atuam no Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, o PSM da 14, em Belém. No comunicado, o sindicato afirma que recebeu relatos e documentos indicando que os profissionais responsáveis pelo atendimento pediátrico da unidade estariam há meses sem receber pelos plantões realizados. A situação é reforçada por um documento ao qual a reportagem teve acesso. No texto, a equipe médica pediátrica comunica que, por conta dos atrasos, poderá paralisar as atividades a partir de hoje (29). O documento foi enviado à empresa gestora do serviço, à Secretaria Municipal de Saúde de Belém, ao próprio hospital, ao Conselho Regional de Medicina do Pará (CRM-PA) e ao SindMepa, detalhando que os pagamentos estão pendentes desde fevereiro e seguem sem previsão de regularização. Na nota pública, o Sindmepa detalha: “Segundo relatos encaminhados ao sindicato e documentos recebidos pela entidade, médicos que atuam no atendimento pediátrico da unidade estariam há meses sem receber pelos plantões realizados”, informou o Sindmepa. A entidade ressaltou que os profissionais continuam atuando em um serviço considerado essencial e de alta demanda na capital paraense, mesmo sem receber. “O cenário se tornou insustentável para profissionais que seguem exercendo suas funções em um serviço de alta demanda e extrema relevância para a população”, destacou. PRECARIZAÇÃO Ainda conforme a nota, o problema evidencia falhas dentro da saúde pública. “A situação expõe não apenas a precarização das relações de trabalho na saúde pública, mas também o impacto direto da terceirização desorganizada e da ausência de garantias mínimas de regularidade contratual e financeira para os profissionais médicos”, afirmou o sindicato. A entidade ainda detalhou que continuará acompanhando o caso. “O Sindmepa seguirá vigilante, acompanhando os desdobramentos do caso e atuando em defesa da categoria médica e da assistência segura à população paraense”, concluiu a nota. O PSM da 14 tem sido alvo de diversas denúncias de falhas estruturais e de atendimento IVAN DUARTE / ARQUIVO O LIBERAL Pediatras do PSM da 14 ameaçam paralisação PAGAMENTOS ATRASADOS SAÚDE - Os profissionais estariam há meses sem receber pelos plantões. Falta de acordo deixará serviço com 30% de cobertura. PRAZOS No documento, os profissionais relatam que não recebem remuneração desde fevereiro de 2026 e que o pagamento referente ao mês de março, previsto para maio, segue sem qualquer previsão de quitação. “O atraso ora exposto escancara uma situação financeira insustentável para o corpo médico da unidade, ante a insegurança no sustento familiar, alimentar e básico de cada profissional, além do acúmulo de dívidas pessoais e familiares, como escola, aluguel, etc”, detalha. Ainda segundo a denúncia, a administradora do serviço “se limita a informar que não recebeu os repasses da Sesma”. No caso da falta dos pagamentos, os atendimentos serão restringidos a 30% do fluxo normal dentro do PMS da 14, “mantendo assistência somente aos pacientes laranjas e vermelhos, de acordo com a classificação de Manchester, conforme as disposições legais, até que seja efetuado o pagamentos do mês em atraso”. O documento ainda detalha que “fica requerida a assunção de um cronograma organizado e justo para o recebimento dos plantões médicos, garantido a justa remuneração e o acesso irrestrito da população a um serviço essencial básico, cuja gestão é prioritária para garantia de sua continuidade e excelência – incluindo a remuneração de todos os profissionais envolvidos de maneira tempestiva”. Por meio de nota, o CRM- -PA informou que recebeu, na terça-feira (26), documento informando sobre uma possível paralisação dos médicos pediatras que atuam no PSM da 14 de Março. “O CRM-PA informa que acompanha atentamente a situação e adotará as medidas cabíveis junto aos órgãos competentes e às equipes médicas envolvidas, reafirmando seu compromisso institucional com a defesa da boa prática médica, da ética profissional e da assistência à saúde da população paraense”, detalha o CRM. Casos graves de Influenza dobram no Brasil A temporada da gripe chegou mais cedo e com mais força ao Brasil este ano. Segundo o Ministério da Saúde, de janeiro a abril de 2026, o país registrou 6.760 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associados à Influenza, contra 3.374 casos contabilizados no mesmo período de 2025, um aumento de 100,4%. A alta, segundo a pasta, se deve à antecipação da circulação do vírus neste ano. Em meio à alta de casos, o g1 conversou com infectologistas para entender quem deve ser testado, qual é a indicação para o antiviral Tamiflu e sua eficácia. Segundo o ministério, a vacinação segue como a principal forma de prevenção contra casos graves, internações e mortes. A TEMPORADA DE GRIPE grupos de risco. Embora haja consenso sobre benefício em grupos de risco e casos graves, parte da literatura científica debate a magnitude do efeito em casos leves. Apesar disso, o acesso ao teste para identificar o vírus ainda é limitado em muitos serviços de emergência, principalmente por questões de custo e cobertura dos convênios, o que faz com que, em muitos casos, o tratamento seja iniciado apenas com base na avaliação clínica. Segundo o infectologista e pesquisador Antônio Carlos Bandeira, o protocolo do Ministério da Saúde prioriza o uso do Tamiflu em pessoas com maior risco de complicações, como idosos, gestantes, imunossuprimidos e pacientes com doenças crônicas, como cardiopatias e hipertensão. INDICAÇÃO Mas ele destaca que a indicação formal do Tamiflu é para qualquer pessoa que tenha diagnóstico de influenza, como ocorre no exterior. Inclusive, até 2009, não existia indicação apenas para grupo de risco. Segundo o especialista, o ideal é iniciar o tratamento até 48 horas após o início dos sintomas. Isso porque, quanto mais cedo é iniciado o tratamento, maior pode ser o benefício. Bandeira acrescenta que, em pacientes graves internados em UTI, o tempo de tratamento pode até ser ampliado de cinco para dez dias. Na rede privada, o preço do Tamiflu com 10 cápsulas 75mg varia bastante entre farmácias, mas atualmente costuma ficar entre R$ 290 e R$ 300. Já os genéricos de fosfato de oseltamivir 75 mg com 10 cápsulas podem ser encontrados com valores mais baixos, geralmente entre R$ 170 e R$ 210. (Com informações do g1) pasta informa que mais de 26,4 milhões de doses da vacina já foram aplicadas, sendo 16,9 milhões no público prioritário: crianças, gestantes e idosos (grupos mais vulneráveis a hospitalizações e mortes). TAMIFLU O antiviral oseltamivir, conhecido comercialmente como Tamiflu, deve ser usado em pacientes com diagnóstico de influenza, especialmente quando iniciado nas primeiras 48 horas dos sintomas. Segundo os infectologistas ouvidos pelo g1, o medicamento pode reduzir o tempo de doença, diminuir complicações e até evitar hospitalizações e mortes em ADRIANO NASCIMENTO / ESPECIAL O LIBERAL A vacinação segue sendo a principal forma de prevenção contra casos graves, internações e mortes por Influenza, segundo o Ministério da Saúde O diretor de comunicação do Sindmepa, Eduardo Amoras, explica que o sindicato está fazendo um levantamento detalhado dos profissionais atingidos e dos períodos de atraso, com o objetivo de subsidiar as medidas administrativas e jurídicas necessárias. “O Sindmepa acompanha o caso e já iniciou a coleta formal de informações e documentos junto aos médicos envolvidos. A entidade buscará esclarecimentos junto aos responsáveis pela contratação e gestão dos serviços, exigindo a imediata regularização dos pagamentos devidos”, observa. “Até o presente momento, o Sindmepa não recebeu comunicação formal sobre deliberação de paralisação das atividades por parte dos profissionais envolvidos. Entretanto, o sindicato compreende a insatisfação da categoria diante dos atrasos relatados e continuará acompanhando o caso de forma permanente, buscando soluções que garantam tanto os direitos dos médicos quanto a preservação da assistência à população”, pontua. HISTÓRICOS Não é a primeira vez que o PSM da 14 enfrenta problemas envolvendo especialistas. A falta de neurocirurgiões na unidade é recorrente e já havia sido formalmente registrada em fiscalizações anteriores. Em abril deste ano, uma vistoria conjunta do CRM-PA e da Defensoria Pública do Estado do Pará constatou que o hospital estava sem cobertura neurocirúrgica desde 13 de março de 2026. O relatório apontou que pacientes com traumatismo craniano, AVC hemorrágico e outras emergências neurológicas de alta complexidade permaneciam sem atendimento especializado, situação considerada crítica pelos órgãos fiscalizadores. A reportagem solicitou nota à prefeitura de Belém sobre a situação e aguarda retorno....JORNALISTA GABRIEL PIRES DA REDAÇÃO DO JORNAL O LIBERAL..........